Mais do qualquer outra peulá, os madrichim deverão estar envolvidos com tema. A peulá só dará certo e os chanichim se envolverão se os madrichim estiverem concentrados na seqüência em silêncio, com presença em suas interpretações ( quando lerem algum texto ou falarem algo). É a hora de os chanichim perceberem que não o subestimamos e que pretendemos dar peulot de alto nível.
1ª parte: os chanichim entrarão no salão e os madrichim indicarão onde cada um sentará. Serão listras que serão uma pré-suástica, mas ainda não perceberão.No fundo, haverá uma música relax. Um dos madrichim então pedirá pra que fechem os olhos e escutando a música, imaginem os seus planos pro futuro, os seus sonhos realizados… O que estudará na faculdade? Namoros? como se realizarão como judeus?…shomer… Profissional… Casamento… filhos…
Depois de um certo tempo, o madrich pedirá pra que escrevam o que imaginaram num papel (se necessário, dizer que ninguém lerá). Depois perguntará se alguém gostaria de falar o que escreveu. ( Caso ninguém responda, o madrich deverá apelar pro emocional, que são a maior shichvá da tnuá e que não é possível que não se sintam a vontade pra contar sobre seus sonhos…) mas de qualquer maneira, deixem no máximo 4 pessoas falarem. E então o madrich recolherá num recipiente de os papéis.
2ª parte: Troca-se a música relax por uma pesada. Um dos madrichim colocará fogo nos papéis enquanto o outro dirá:
Há 59 anos atrás, 11.000.000 de pessoas e dentre eles, 6.000.000 de judeus dentre bebes, crianças, jovens, recém casados… não tiveram a chance de realizar seus sonhos, ou melhor, lhes foi tirada a sua chance. Foram assassinadas por serem o que eram e acreditarem no que acreditavam. Enquanto isso um dos madrichim completará a suástica com fita crepe, sem que os chanichim percebam o desenho.
1 minuto de silêncio
3ª parte: Um dos madrichim então lerá um poema do Primo Levi ( sobrevivente de Auschwitz, se suicidou em 1987):
“É isto um homem?
Vocês que vivem seguros
Em suas cálidas casas,
Vocês que, voltando à noite,
Encontram comida quente e rostos amigos,
pensem bem se isto é um homem
que trabalha no meio do barro,
que não conhece paz.
que luta por um pedaço de pão,
que morre por um sim ou por um não.
Pensem bem se isto é uma mulher,
sem cabelos e sem nome,
sem mais força pra lembrar,
vazios os olhos, frio o ventre,
como um sapo no inverno.
Pensem que isto aconteceu:
Eu lhes mando estas palavras.
Gravem-na em seus corações,
estando em casa, andando na rua,
ao deitar, ao levantar;
repitam-nas aos seus filhos.
Ou, senão, desmorone-se a sua casa,
a doença os torne inválidos,
os seus filhos virem o rosto para não vê-los.”
Silêncio…
4ª parte: A shichvá então será dividida em 4 grupos que passarão por um circuito de madrichim. Cada madrich estará com um dilema em um canto do salão. Após a resposta dos chanichim quanto aos dilemas, o madrich que estiver com o grupo contará quais foram as decisões ou reações das pessoas. Seguem os dilemas:
1-Mordechai Aniletvitch:
Chaver do Hashomer Hatzair na Polônia. Em 1939, preso pelos soviéticos, por organizar a emigração dos judeus à palestina. Após a sua libertação, em 1940, dirigiu-se para a parte da Polônia ocupada pelos alemães, para o gueto de Varsóvia. Tinha plena noção do plano nazista de extermínio total do povo judeu. Via seu povo passando fome e sendo levados como “ovelhas para o matadouro”. Estava certo de que todos iriam morrer e que uma resistência devia ser organizada, mas havia um dilema: Sabia que se iniciassem a resistência, o levante provocaria a fúria dos alemães e matariam muita gente que ainda tinham a esperança de sobreviver além dos combatentes. O que vocês fariam? Valeria pena e seria justo organizar o levante? Acelerando a morte de pessoas que ainda acreditavam que aquilo tudo acabaria?
Carta escrita por Mordechai Anilevitch
Varsóvia, 23 de abril de 1943
No clímax do Levante do Gueto
Cumpriu-se minha última vontade
\\\”sentimos agora que tudo que passou foi muito pior do que imaginávamos, e apesar de termos tido idéia do nosso fim, a realidade superou a nossa imaginação.
Na guerra com os alemães, esforçamo-nos até o máximo de nossas forças, no entanto, estas se tornam cada vez mais débeis e por fim estão desaparecendo. Estamos à beira da aniquilação.
Duas vezes obrigamos os alemães a retroceder, porem eles voltaram com maiores forças. Um dos nossos grupos foi aniquilado após 40 minutos de luta, outro lutou aproximadamente seis horas.
Nosso depósito de armas explodiu. Sinto que se sucedem acontecimentos heróicos e que tudo isto, tudo o que fizermos tem um grande valor e uma grande significação.
Não sou capaz de descrever para vocês a situação em que vivem agora os judeus no Gueto.
Pode suceder, talvez um milagre , e que algum dia nos tornemos a ver, mas duvido, duvido muito que assim seja. O último desejo de minha vida cumpriu-se, a defesa heróica que ofereceram os judeus teve um grande significado. A vontade judia e o desejo de vingança tornaram-se um fato. Sinto-me feliz por achar-me entre os primeiros guerrilheiros do Gueto.
Onde se encontra a salvação? …”
Em sua homenagem, foi fundado o kibutz Yad Mordechai, onde há uma grande monumento e onde todos os anos é relaizado um tekes ( cerimônia) do Hashomer Hatzair de Israel.
Em uma praça em Varsóvia há um grande monumento em homengemaos combatentes do gueto de Varsóvia ( monumento Rapoport)
2-Januzs Korczak:
Seu nome verdadeiro era Henrique Goldsmith. Judeu, formado em medicina e professor, educador. Na primeira guerra, acompanhou o exército polaco como médico. Muito bem visto pelo povo polaco, encarado como uma personalidade polaca, um dos maiores intelectuais de Varsóvia.
Com a ajuda financeira do governo polonês,em 1912, constrói um orfanato para órfãos judeus da maneira como planeja em Varsóvia. Sua filosofia de estava baseada além dos estudos , principalmente na educação da personalidade e caráter das crianças.
No dia 5 de agosto de 1942, suas crianças foram mandadas para o campo de extermínio Treblinka. Nesse momento, Korczak estava sob um dilema:por sua admiração pela sociedade polaca, podia ser salvo da morte, sobreviver e contar o que testemunhou e sofreu como judeu durante a vivência no gueto, denunciar ao mundo a barbárie nazista, mas ao mesmo tempo abandonaria seus alunos no caminho para a morte.
O que vocês fariam? Acompanhariam os seus alunos ou tentariam sobreviver sob a proteção de algum polaco?
Em 5 de agosto de 1942, Korczak acompanha as 200 crianças em sua marcha final. Morreu como em Treblinka junto com seus alunos.
Hoje em dia, no mesmo lugar onde educou seus alunos judeus, funciona um orfanato e no parque há um pequeno monumento emsua homenagem. Sua filosofia de educação é estudada no mundo todo.
3-.No meio do campo de Majdanek, os nazistas constroem um monumento com duas águias, uma em cima da outra, simbolizando a águia do símbolo nazista sob a águia, símbolo polaco. Abaixo havia a cruz de malta. Os alemães sempre mandavam os judeus se curvarem para o tal “monumento”. Caso não se ajoelhassem, provavelmente seriam torturados ou mortos.
Vocês se ajoelhariam? Como sairiam dessa situação?
Sem que os alemães soubessem, abaixo da cruz de malta, os judeus enterraram cinzas de conhecidos, parente e entes queridos e assim, quando um nazista mandava alguém se curvar, estavam reverenciando não o monumento e sim aos falecidos.
4-Os alemães no gueto de Varsóvia passaram a exigir dos judeus que tirassem o chapéu (naquele frio glacial no inverno, nevando, todos usavam chapéu) diante de um alemão uniformizado.
Vocês tirariam o chapéu para os carrascos de seu povo?
Gente jovem sempre tentava evitar ou opor-se a decretos nazistas. Nessa situação, Mordechai Aniletvitch decidiu sair no frio glacial de inverno sem a cabeça coberta. Embora tivessem os corpos enfraquecidos pela falta de alimento e intensamente sensíveis ao frio, não foram poucos os que imitaram a maneira de vestir e a ausência de chapéu de Mordechai, que se tornaram simbólicas do movimento.
5ª parte: os chanichim então subirão para a exposição na chaviva reich. Na saída, receberão uma apostila (2 ou 3 folhas) com textos, fotos e poemas sobre o tema.
6ª parte: a shichvá montará um tekes para o mifkad.
-mifkad esh
-texto escrito por eles mesmos
-motivos para as velas
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