PEULA 1:
Essa é a primeira peulá de uma tochnit que terá como objetivo final um livro sobre a lenda tratada: “O golem”. É importante que tudo que os chanichim fizerem ou falarem ( caso digam algo muito interessante, anotem para botarmos no livro) seja guardado para juntemos tudo no final e façamos o livro.
1ª parte: A dinâmica será usada para chegarmos a história. O madrich perguntará aos chanichim:
-O que é um herói?
-Eles só existem em filmes e histórias em quadrinhos ou existem heróis de verdade?
-Um Exemplo e porque? (Caso não digam ninguém, perguntem sobre Moshe que libertou seu povo da escravidão no Egito e sobre Mordechai Anilevitch, líder do levante do gueto de Varsóvia,…enfim, outros exemplos que eles possam conhecer)
2ª parte: O madrich pedirá então que eles façam com argila o herói perfeito para eles. E que escrevam num papel as suas características como pessoa (engraçado, nervoso, simpático,…)
Quando acabarem, pedir para que expliquem porque o fizeram assim e perguntar suas características como pessoa.
3ª parte: O madrich então iniciará a contar a história (ATENÇÃO:não ler para os chanichim em hipótese alguma. Leiam antes de ler a peulá e ajudem uns aos outros a se lembrarem da história.)
A mais de 500 anos atrás, muitos judeus viviam em Praga,na atual capital da República Tcheca (mostrar no mapa aonde fica o Brasil e aonde fica a República Tcheca). Mas sofriam muito com o anti-semitismo ( explicar que o anti-semita é aquele que não gosta de judeus). Os judeus viviam todos no mesmo bairro e volta e meia sofriam atos de discriminação. Era uma época difícil pra comunidade judaica de Praga.
Nessa época, o rabino da Grande Sinagoga do Bairro era o Yehudá Leib, mais conhecido como “Maharal”( Moreinu Harav Liwa- nosso mestre Rabino Loeb). Era um Rabino estudioso e muito sábio e tinha noção de que sua comunidade corria perigo constantemente.
As pessoas inventavam muitas mentiras ruins sobre os judeus e todos acreditavam. Os judeus eram acusados de matar crianças cristãs, e de usar seu sangue para fazer matzá. E por mais, que fosse mentira e o Rabino lutasse pela justiça, de nada adiantava. Com o passar do tempo, os judeus corriam mais perigo. E o Rabino sabia que algo de muito sério e ruim estava para acontecer, e passava dias e noites pensando em como evitar…
Certo dia, soube que um judeu conhecido na cidade, Eliezer Polner, havia sido preso. Ele estava sendo acusado de ter raptado a filha do Conde pra fazer com o seu sangue, matzá. Eliezer era um homem justo e o Rabino sabia que nunca raptaria nenhuma criança e muito menos pra fazer matzá, o que não fazia sentido…
E o Rabi levou dias pensando em como livrar Eliezer da tal acusação.Mas era difícil já que a menina raptada estava desaparecida a dias…(perguntar aos chanichim em como eles fariam para solucionar esse problema?)
E em uma noite, o Maharal sonhou com a solução para sua pergunta. ( O que eles acham que ele sonhou?)
Mas essa solução os chanichim só saberão no próximo sábado…
PEULÁ 2:
Essa peulá será a continuação da última. Tivemos alguns problemas com relação a atenção a peulá, a história. É importante que os madrichim tenham a consciência de que nessa idade, os chanichim não se ligam muito na parte intelectual, então dificilmente sentarão num cheder e se calarão para escutar uma história. Os madrichim devem contar a lenda de uma maneira divertida, interpretando, fazendo piadas e sempre que possível fazendo com que os chanichim interajam com o que estão ouvindo.
1ª parte: Apresentaremos uma peça rápida sobre a história contada na semana passada. Haverá um narrador que sempre fará perguntas ao “público” testando o quanto eles prestarem atenção. Aquele grupo que responder, a cada pergunta ganhará um saquinho de balas.
2ª parte: Cada kvutzá irá para um cheder e continuarão a história. O madrich deve lembrar da idéia do livro. Que se eles participarem da peulá, lançaremos um livro sobre a história com fotos e textos deles!
AH! Importante não falar do Golem até então, eles não sabem dele ainda….
Pedir para um chanich contar rapidinho a história até agora e voltar a pergunta do final da última peulá: Qual a solução que o Maharal sonhou para salvar Eliezer?
O Maharal entendeu a mensagem do sonho que lhe indicava fazer uma figura de argila que se transformaria em um Golem. Esta criatura teria, então, meios para destruir os inimigos do povo judeu.
Na manhã do dia seguinte, 20 de Adar de 1580, mandou chamar seu genro e seu discípulo preferido. Contou-lhes seu sonho, a revelação que tivera e a decisão de criar um Golem. Ao ver o espanto dos dois, avisou que aquela não seria a primeira vez em que se criaria este artifício. Muitas tentativas haviam fracassado no passado, mas somente que um sábio havia conseguido.
Durante 3 dias, os 3 homens se prepararam e estudaram como criariam o Golem. No terceiro dia, acordaram cedinho e prepararam uma muda de roupa para um homem normal e levaram a um lugar fora da cidade, próximo as margens de um rio.
Lá, moldaram um boneco de argila (assim como eles fizeram na semana passada com os seus heróis!) com a aparência de um homem inclinado, com a cabeça voltada para o céu.
O Maharal e os outros dois fizeram rituais segundo está escrito em alguns livros judaicos. Colocou um pergaminho onde escrevera o nome de D’us (que ninguém sabe qual é o verdadeiro) sob os lábios da figura de argila. Em seguida, recitaram sete vezes, unidos em grande concentração, o versículo da Torá que diz: “E Ele insuflou em suas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivo”. Neste momento, o Golem abriu os olhos. Então o Maharal ordenou-lhe que se erguesse, cobrindo-o com as roupas que haviam trazido.
“Seu nome é Yossi”, disse o Maharal. “Eu o criei para que cumpra a missão divina de proteger os judeus contra seus inimigos. Você obedecerá a todas as minhas ordens, não importa o que eu ordene, pois é destituído de vontade própria. Seu lugar será dentro da Sinagoga, onde me ajudará”. ( Perguntar se eles acham que os judeus hoje em dia seria precisam de um Golem que resolva os seus problemas. Por que? Voltar um pouco sobre a idéia das pessoas que não gostam dos judeus, do anti-semitismo)
Feito isso, os três homens partiram em direção à cidade, seguidos pela criatura que tinha a aparência e os movimentos de um homem normal. Embora mudo, e desprovido de quaisquer pensamentos ou inteligência, o Golem compreendeu o que o Maharal lhe havia dito.
Ele ficava, o dia todo, sentado na Sinagoga, sem nada falar ou fazer, o olhar vazio. Ninguém na comunidade sabia quem era nem de onde viera. Deram-lhe o apelido de Yossi, o mudo. Ninguém, exceto o Maharal, podia dar-lhe ordens ou recorrer a seus serviços. Se falassem com ele, não reagia; nunca abria a boca. Seu rosto só se animava quando o Maharal lhe falava. ( perguntar se eles gostariam de ter uma criatura assim como Golem só para eles. Que fizesse tudo o que eles quisessem?)
No dia seguinte, o Maharal chamou o Golem e falou:
“Yossi, logo mais você terá que descobrir onde está a filha do Conde Bratislavski, uma menina chamada Hanka. O pai dela afirma que os judeus a mataram, mas tenho certeza de que ele está escondendo a filha em algum lugar. Não me pergunte onde encontrá-la. Os poderes que deram vida a você, também lhe darão conhecimento do lugar onde ela se acha. Você é parte da terra, e a terra sabe de muita coisa. Aguarde até o dia em que Reb Eliezer for levado a julgamento e traga então a menina e mostre aos nossos inimigos como eram falsas as suas acusações.”
O madrich então perguntará o que eles acham que vai acontecer… mas só dará a resposta no sábado seguinte…tchan tchan tchan!
3ª parte: O madrich então dirá a kvutzá que eles deverão fazer o seu próprio Golem e dar um nome a ele. Só que em vez de barro, farão com sucata…
PEULA 3:
Antes começar a peulá, não se esqueçam de dar algum joguinho, aproveitar o espaço pra conversar com os chanichim, saber como foi a semana, fofocas…enfim, criem um espaço só da kvutzá.
Antes de começar a contar a história botem bastante suspense, lembrem de como eles falaram que seria o final da história e pedir para que alguém conte rapidamente a história até então (Leiam as peulot anteriores antes pra lembrar e ajudar eles a contar. Mas não deixe rolar muito tempo. Só o suficiente para que aqueles que não vieram nas últimas peulot se atualizem).
E se lembrem ainda da nossa idéia de montar um livro. Então não se esqueçam de anotar coisas que os chanichim falarem, alguma curiosidade. Algo engraçado. Dúvidas…
E então comecem:
Finalmente chegou o dia do julgamento de Eliezer Polner. No tribunal havia muita gente, mas poucos judeus, pois esses foram proibidos pela corte de comparecer.
(E então o madrich perguntará quem quer fazer a encenação do tribunal no cheder. O madrich então “montará” junto com os chanichim o tribunal e cada chanich receberá a fantasia de seu personagem. Enquanto o madrich estiver lendo a falas, os chanichim deverão dublar. Atenção, madrichim as palavras em negrito para divertir e cobrar mais dos chanichim a interpretação)
E (com um ar sério) o promotor começa a acusação:
“-Excelentíssimo juiz, o povo judeu em vez de estarem agradecidos ao nosso imperador por lhes permitir que vivam aqui, seqüestram e matam nosso filhos para fazerem matzá. Não só o judeu Eliezer Polner é culpado, mas toda a comunidade judaica.
A morte de Hanka clama por vingança.”
Muitas pessoas se emocionaram com as palavras falsas do promotor.
O defensor de Eliezer no tribunal era o Maharal que respondeu todas as perguntas do juiz e falando apenas a verdade, mas ninguém no tribunal acreditava e nem estavam dispostos a acreditar.
De repente, a porta trancada da sala do tribunal e um gigante, de rosto amarelado, cor de barro, entrou carregando uma menina nos braços.
A menina correu imediatamente para junto do Conde e começou a gritar:
-Papai, papai!
E o juiz perguntou (curioso) a menina:
-Quem é você?
E ela:
-Sou Hanka e esse é meu paizinho.( se referindo ao Conde Bratilavski)
E o Conde (nervoso):
-Cala boca menina. Não diga nada!
O juiz:
-Onde você estava?
Hanka:
-Estava na adega da minha casa. Um homem e uma mulher me trancaram lá e me disseram que foi meu pai que os mandou fazer isso comigo.
O conde:
-É mentira. Os judeus enfeitiçaram minha filha. Eu sou o grande Jan Bratislavski, um homem rico, um Conde.
O juiz:
-Era. Você perdeu todo o seu dinheiro jogando baralho e agora, achava que com o sumiço de sua filha, poderia herdar as suas jóias. Mas não o conseguira, e será preso.
(Gritou:)Soldados, levem-no para o calabouço!
E vocês, judeus(se referindo ao Maharal e Eliezer) podem voltar para suas casas e comemorar o pessach.
Após o término do julgamento, todos no tribunal cochichavam e ainda se perguntavam: Quem seria o gigante de Barro que trouxe a menina?
Foi um grande pessach par os judeus de Praga. Além de comemorar a liberdade dos judeus no Egito, também comemoram a liberdade de Eliezer Polner.
Houveram muitos outros casos em que o Golem ajudou a comunidade judaica de Praga. ( Perguntar aos chanichim se eles consideram o Golem um herói e se ele tem algum em comum com o herói que cada um fez com argila no início da história.)
Dez anos após ter sido criado, a situação dos judeus havia melhorado e o Maharal concluiu que a missão do Golem terminara. Em 1590, durante Lag Ba’Omer, o Maharal ordenou-lhe que o acompanhasse ao porão da sinagoga. Lá, disse-lhe que se deitasse e abrisse a boca. O sábio tirou o pergaminho no qual estava escrito o Nome Divino e disse à criatura: “Você é pó e vai voltar ao pó”. Yossi, o Golem, cumprira o seu destino.
Anos mais tarde, no entanto, espalhou-se entre os judeus de Praga uma lenda segundo a qual Yossi, o Golem, não virara pó, mas estava escondido desde 1590 no sótão da sinagoga de Praga em profundo sono.
Mas será que o Golem realmente existiu? Rabinos famosos afirmaram que sim. (Perguntar aos chanichim se eles acreditam que o Golem existiu? Se eles teriam coragem de ir ao sótão da sinagoga pra ver se ele realmente está lá?Não teriam medo?)
Perguntem aos chanichim então se eles tão afim mesmo de montar um livro com a história. Caso digam sim, então precisaremos da ilustração de vocês! E aí daremos a cada chanich uma parte da história que deverá ilustrar.
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